sexta-feira, 8 de julho de 2016

Dra. qual o melhor livro para o meu problema?

O ordenado do meu primeiro emprego não era compatível com todos os meus planos, e acho que ainda hoje não é :(. Entonces vai daí, que quando recebia o subsídio de férias, entre despesas extras e dinheiro para as férias, destinava sempre umas notas para um creme de rosto bom e caro (sim, tenho esta pancada de cremes para o rosto, corpo, olhos, mãos, pés, cotovelos e mais-que-houver), e para um livro novinho em folha! Lia sobretudo livros emprestados das primas e dos amigos, então era um luxo escolher um livro novo, era como comprar um carro zero quilómetros. Escolher um assunto ou história selecionado por mim, ou a curiosidade de ler um determinado escritor ou ainda a escolha consoante a minha disposição...  Mas acima de tudo tive sempre a ideia de que o livro é uma viagem, um escape, em certas alturas da vida pode mesmo funcionar como uma terapia.
Tenho fases de ler um livro atrás do outro, e depois faço uma pausa e leio revistas, para me ligar à terra . Aqui há tempos, depois duma fase-de-revistas, dei por mim a pensar “estou a precisar de ler um livro, sei que me vai ajudar a levantar o ânimo”. Por coincidência ou talvez não, porque nada acontece por acaso, fui esbarrar com uma entrevista feita a Ella Berthoud que se intitula de biblioterapeuta. O consultório de Ella e Susan Elerkin, funciona tal como uma ída ao médico. O paciente queixa-se das suas maleitas e as biblioterapeutas prescrevem certos livros para a cura. A coisa tem apresentado resultados nos problemas emocionais. Entre os livros que deu como exemplo para problemas de amor, ansiedade, perdas, mudanças, encontram-se também autores portugueses. Não é maravilhosa esta iniciativa?

As biblioterapeutas publicaram o livro Remédios Literários  e desenvolveram o sítio The School of Life, onde além do serviço da biblioterapia, se encontram conteúdos muito interessantes sobre o auto-conhecimento.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

As tuas verdadeiras cores

O nome do blogue era para ser True Colors, só não o foi porque quis que fosse em português e não me ocorreu nenhuma expressão do meu agrado com a palavra "cor".
As cores servem de metáfora em muitas situações e nesta canção da Cyndi Lauper representam a verdadeira personalidade da pessoa, os sentimentos puros, os medos e fantasmas, tudo sem máscaras.
Nos dias menos bons sabe bem ouvir palavras motivadoras, por isso aqui fica a letra e o vídeo para recorrer nessas alturas...

True Colors
Cyndi Lauper

You with the sad eyes
Don't be discouraged
Oh I realize
It's hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness it's inside you
Can make you feel so small

But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

Show me a smile then,
Don't be unhappy, can't remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there

And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

I can't remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there

And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors, true colors
True colors are shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow



terça-feira, 17 de maio de 2016

Irmãs

Irmãs com uma diferença de idades que não chega a 14 meses. A primeira nasceu ainda nos anos trinta e a mais nova inaugurou a década de 40, do século passado. Tinham mais dois irmãos, no entanto, a proximidade de idades entre elas unia-as mais do que em relação aos outros. Eram também só elas que tinham os olhos azuis, iguais aos do pai que falecera dois anos depois do nascimento da mais nova.

Foram educadas apenas pela mãe mas cresceram num ambiente rodeado de criadas, dos empregados que trabalhavam nas suas terras, da família paterna e materna e de quantos-forem-possível-contar primos e primas que surgem sem aviso nas terras mais pequenas, onde os laços familiares são autênticas encruzilhadas. Viveram uma infância em casa abastada, em meio campestre, numa vila arraiana situada na região apelidada de celeiro de Portugal.

Partilharam a cama, as roupas, as brincadeiras, as ídas para a escola e os segredos só delas, que agora  contam ainda com o entusiasmo característico da primeira revelação. Acima de tudo tinham um jeito especial para as travessuras. Uma sugeria e a outra acompanhava ou tinham a mesma ideia, sem combinar, e íam parar ao mesmo “local do crime”. 

Uma certa vez decidiram dormir toda a noite à janela, a comer pêras e pão com cacholeira, às escondidas da mãe. Sempre atentas ao que entrava na dispensa ou nalgum armário, onde se pudesse guardar iguarias para ocasiões especiais, pela calada lá iam saborear quer fossem bolos ou enchidos. Acompanhavam a mãe nas ídas às propriedades, e quando passavam na herdade de um tal primo, era certo e sabido que atacavam os morangos, sem a mãe dar conta.

Também houve desentendimentos e zangas entre elas ao longo dos anos, o que é natural entre os irmãos e os familiares. Contudo, não foram o bastante para as apartar.

Ainda hoje quando as observo juntas, e nunca caladas, não consigo dissociar a imagem construída de duas irmãs pequenas.


É um autêntico tesouro escutar as histórias sobre os tempos da infância, das gentes da sua terra, dos acontecimentos históricos e serem contadas ipsis verbis pela avó, pela mãe e pelas tias. Ter irmãos significa partilha e também ter essa verdade da mesma vivência em algum tempo da nossa vida e isso deve ser bestial (digo eu, a filha única).

sexta-feira, 18 de março de 2016

Escapadela especial

Já sentadas no avião, a minha amiga Chica da Navalha virou-se e disse-me: “Finalmente vamos viajar juntas ao fim de 30 anos de amizade” (para fora de Portugal, referia-se ela). Era mesmo verdade, custou mas foi, e ainda por cima numa ocasião especial, íamos visitar a nossa amiga Olhinhos, amiga também desde essa mesma longa data.

Não, as minhas amigas não são desenhos animados :P estes são os nicknames que usamos só entre nós as três, e sim também tenho um, mas não vou revelar (mistério!).

Quis o destino que a Olhinhos fosse trabalhar para o estrangeiro e quisemos todas as três encontrarmo-nos lá. Esta escapadela, de fim-de-semana-alargado, deu para matar saudades das conversas entre nós, onde há sempre gargalhadas a valer, deu para visitarmos os locais preferidos da nossa amiga e do seu mais-que-tudo, e deu para realizar o meu desejo de infância de ir à Suiça, por causa da Heidi (esta sim é desenho animado :P).

No regresso, eu e a Chica da Navalha concluímos que deu para aproveitar bem. Calcorreámos Genéve, passeámos em Annecy, fomos até Chamonix e sentimos o frio do Mont-Blanc.

De Genéve fica na memória o lago Léman de águas cristalinas (tal qual Caraíbas mas em frio), as castiças ruelas e becos ao redor da Catedral Saint Pierre no centro histórico mas também a ideia de uma cidade europeia desenvolvida e organizada.

De Annecy, trouxe na retina as suas bonitas ruas com canteiros floridos e casas típicas dos Alpes, os canais de água que correm airosamente por entre as vielas e que lhe confere o nome de Veneza francesa e o enorme lago rodeado por montanhas e campos verdejantes. Viu-se que é uma vila que as pessoas procuram bastante nos tempos de lazer.

Em Chamonix, deu para conhecer a vila e sentir o ambiente duma típica estância de inverno, que achei encantador, e deu para ouvir o silêncio do nevão que caíra no dia anterior. Lembro-me bem do frio que me invadiu até aos ossinhos...

E claro, não me posso esquecer da hospitalidade da Olhinhos e do seu mais-que-tudo, pois ainda nos rimos do cuidado extremo que tiveram connosco!

Desta viagem recordo os sabores do crepe com chocolate em Annecy, do Martini ao fim da tarde em La Roche-sur-Furon, da raclette que a Olhinhos fez questão de nos preparar e das bolachas wafer de avelã, que a Chica levou daqui, e que devorámos num ápice em Genéve.

Não publico fotos daquilo que vivenciei mas sim daquilo que já não deu para fazer - a viagem no comboio Mont-Blanc Express, com a promessa de "fica para a próxima"...

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Uma Arca cheia de surpresas

Quero chegar ao fim do livro mas não quero que este acabe…
A Arca de Victoria Hislop , oferta da V. foi uma boa surpresa. A autora é conhecida por escrever sobre viagens. Os seus livros já me tinham sido aconselhados pela livraria de viagens -  Palavra de Viajante .   
Comecei a ler e estava a gostar por ficar a conhecer um pouco da história e da cultura grega.  A páginas tantas, a ação passa a desenrolar-se à volta dos tecidos, fitas, linhas, cores, etc., e é claro que ainda fiquei mais agarrada ao livro, pelos motivos que já expliquei noutro post sobre trapos.
"Komninos gostava de passear pelo seu salão de exposições silencioso e de passar a ponta dos dedos pelos seus rolos de seda, de veludo, de tafetá e de lã. Conseguia saber o preço de fábrica por metro simplesmente ao toque. Este era o seu grande prazer. Para ele, estes tecidos eram mais sensuais do que a pele de uma mulher. Os rolos iam do chão ao teto e havia escadas que corriam ao longo de calhas pelos cinquenta metros do salão, para se poder aceder facilmente aos do cimo. Tudo estava organizado por cores, de uma ponta à outra, com a seda carmesim ao lado da lã escarlate e o veludo verde ao lado do tafetá esmeralda. Os seus vendedores eram responsáveis pelas secções de cores em vez de tipos de tecido específicos, e ele conseguia ver com uma olhadela se algum deles tinha feito asneira no seu inventário. A simetria e a perfeição deste espaço sem o pessoal a atravancar agradava-lhe de sobremaneira. O seu pai, de quem tinha herdado o negócio, sempre o tinha encorajado a vir aqui e a apreciar a ordem e a calma do salão sem empregados nem clientes."
...
"Quando a porta abriu, uma pequena campainha tocou. Era suposto alertar o lojista de que alguém vinha a entrar, mas ninguém apareceu. Em contraste com a claridade do exterior, o interior da loja era escuro, mas a fresta de luz que passava pela porta iluminava o brilho pálido dos botões de contas. Estavam dispostos na prateleira como rebuçados.
Katerina fechou a porta atrás de si e passou os dedos ao longo dos rolos de fita que cobriam as prateleiras. A sensação do cetim por baixo dos dedos era tão luxuriante que não resistiu a pegar num e a deixá-lo desenrolar-se nas suas mãos. A seguir ouviu um tossicar.
- Posso ajudar-te? – o tom dele era amável, suave. A voz de um avô. – Suponho que queiras qualquer coisa para o cabelo.
Ela ainda estava demasiado receosa para falar.
- Podes levar um bocadinho, mas se for mais do que isso vou ter de cobrar.
Katerina levou a mão ao cabelo. Estava em desalinho e não muito limpo. Talvez um bocadinho de fita o pudesse segurar melhor no sítio.
- Que cor é que querias? – perguntou ele, pegando numa tesoura enorme.
- Azul…
- Azul? – deu uma risadinha. – Tenho alguns. Talvez uns trezentos azuis diferentes. Azul-bebé, azul-índigo, azul-água, cerúleo, cobalto, safira, marinho, turquesa… Qual é o teu favorito?".

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Quarteto de Heiner Müller nos Artistas Unidos

Confesso que fui ver a peça em primeiro lugar por ser com o Ivo Canelas, em segundo porque há muito tempo que não ia ao teatro ver algo que não fosse comédia. 
Só tinha visto o Ivo Canelas no cinema ou em séries de Tv e gostei sempre da sua representação. Em teatro, ali tudo à frente em tempo real, sem filtros, revalidei a minha opinião, é muito bom ator... ah e com muito estiloooo!
Juntamente com a atriz Crista Alfaiate, os dois atores encarnam diversas personagens do enredo, sem alterarem o guarda-roupa. Apenas a mudança de posição dos adereços, a  saída e entrada do ator, a introdução de música (dos Rolling Stones) e a iluminação forte encarnada virada para os espetadores, marcam a mudança de cena. É um jogo de personagens para o qual o espetador é levado. 
A peça de Heiner Muller, aqui encenada por Jorge Silva Melo, baseia-se na obra Ligações Perigosas de Choderlos de Laclos (quem não se lembra do livro ou do filme?) fala sobre sedução, vingança, amores e desamores e mais não digo... vão ver. Foi sala cheia no dia do espetador, às terças.
Gostei do trabalho dos Artistas Unidos e do espaço na Politécnica http://www.artistasunidos.pt/index.php/artistas-unidos/61-pecas/no-teatro-da-politecnica/1086-quarteto-de-heiner-mueller

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Qual a cor do teu nome?

Maria é amarelo, Frederico é verde e Luísa é azul. Não, não foi porque escolhi pintar as letras com qualquer programa, é porque é assim que vejo os nomes das pessoas, os meses do ano e os dias da semana, A CORES! Para quem lê isto pela primeira vez (se há alguém a ler :) pode parecer estranho, mas para mim também foi, ao descobrir por acaso, que nem toda a gente vê/sente desta forma, e que a isso se dava o nome de SINESTESIA.
Achava que toda a gente atribuía, involuntariamente, uma cor aos nomes, aos meses e aos dias da semana, a funcionar como mnemónica, e por isso nunca tinha comentado com ninguém, achava eu que era normalíssimo! Qual foi o meu espanto, já aos meus vinte e tal anos, quando num documentário na RTP2 se falava de pessoas que viam/sentiam como eu. Fiquei boquiaberta, então isso não era normal? Isso tem um nome? Eu sou sinestésica? Holy shit, isto é giro!
A cor que atribuo a um nome é a minha perceção, o mesmo nome pode ter outra cor para outro sinestésico. A memória mais remota que tenho é do tempo da escola primária e pensar “lá vem a encarnada” já sabia que era a Glória.
A sinestesia está relacionada com uma fusão dos sentidos. No meu caso  audição/visão. Oiço nomes e vejo cores. Estão identificados outros tipos de sinestesia como sons/música que evocam imagens, tacto que evoca sabor… mas a mais comum é a de letras e números que evocam cores.
Sabia que o Wassily Kandinsky era sinestésico? Ah pois era…
Escolhi um vídeo que explica de forma criativa o que é a sinestesia (tem legendas em português)